2.22.2010

Solutio

Seja realista
E se olhe no espelho
Está se tornando
Um cubo de gelo
Até seu sorriso
É mero esboço
Tua pele gelada
Já toca o osso
Seja realista
E encare a verdade
Roubaram de ti
Toda a felicidade
Não tem mais dinheiro
Não tem mais motivo
Até as canções
Já não são regozijo
Acorda, meu caro
Acaba com isso
Faz morrer o velho
Faz vir o início
Da tua vida nova
Da tua nova vida
Tua grande jornada
Dourada e comprida.

2.12.2010

Matilha

Família é uma ilha
Sem ter como escapar
Água aqui
Água acolá
Sem barco pra navegar
Ilha de terra
Mãe Terra
Terra: elemento do touro
Touro, vaca
Vaca, leite
Leite, mãe
Mãe, família
Ilha
Ora comédia
Ora guerrilha

Ouço os ganidos da matilha.

1.26.2010

Cópula

Oswald que me perdoe
Mas eu gosto é de uma rima
Você embaixo
Eu em cima

1.14.2010



Zyklon B

EINS
ZWEI
DREI
VIER

Tira o pijama
Entra na fila


DREI
VIER
EINS
ZWEI

Judeu que aqui entra
Nunca mais sai

12.10.2009

Ode doméstica

O nome? Maria Clara. Mas de Maria Imaculada, a Clara não tinha nada. Nem de Clara a Maria tinha cara.
De claro, só o osso. O osso é história comprida...
Um dia, a Clara encheu a cara e pôs em prática a velha tara. Sentou na cama, seminua. No quarto, a luz gélida da lua. Clara Maria era só alegria. Olhou pro braço. Braço fino, braço de lavá roupa. Tomou a navalha. Navalha no braço de Maria Clara.
Mas de claro, só o osso.
O osso era a obsessão da pobre franzina. Tomou a navalha, riu pra janela e meteu no braço dela.
A lua tava toda tesuda, encarando na cara a Maria Clara desnuda.
Raspou a carne toda. Raspou o osso. Fez farofa. E ria, e ria e cantava. Maria era só alegria!
Era o fim! Findava já! Amanhã bem cedinho, o patrão ia esperá!

11.26.2009

Apartheid moderno

Você fala de si.
Expõe testosterona pra todo mundo vê.
Mas e se o corpo não responde?
Numa ponta: eu; na outra: você.

11.25.2009

ECTLIPSE

Para Felipe Ribeiro

Teu corpo é meu colchão
E meu cobertor.
Manteiga no pão.
Sublime arquitetura,
a tua figura.
Exata feitura.
Ainda te quebro os ossos co'a mão.
Só pelo prazer de desconstruir
a pétrea construção:
Tua razão.
Tua pele é veneno que eu quero tomar!
Fibra por fibra.
Gole após gole.
Até eu ficar de porre.
Porre de porra.

Título sem

Ah como eu queria escapar
À toda essa tragédia familiar
Pressão freudiana, kardeciana ou outro pensamento de linha qualquer
Fundado no absurdo de um óvulo de mulher
Quando gera um ser
Feito pra ganhar ou perder
Um ser capitalista, um ser digitalista
Hiperbolicamente desumanista
Ah o nariz empinado do fascista!
O Comte de Positivismo
O Darwin de Evolucionismo
As avessas tá ao mundo!
O calor tá iracundo!
Pra onde foi dona d'Arc Joana?
Um dia ainda me meto numa cama
E não saio mais
Pra onde foi o Exército dos Imortais?
E os assírios?
E os papiros?
Babilônia?
Nunca mais!

Anauê pra você!

Curioso fardo,
o nacionalismo exaltado.
Cão adestrado.
(Viva Plínio Salgado!)
Resultado:
O Führer ridicularizado.